Se fizermos um exercício de memória e voltarmos 20 anos no tempo, é provável que muitos nem sequer saberiam o que significa compliance. Mesmo no início dos anos 2000, quando o tema ainda era muito incipiente nas organizações, tanto no Brasil quanto em águas internacionais, pouco se falava dessa disciplina. Apesar de recente, isso não torna o assunto menos importante. Muito pelo contrário! É preciso que seja amplamente divulgado sua relevância e, mais do que isso, que se dê o devido valor na formação dessas pessoas dentro e fora das empresas, independente do seu tamanho, nicho, setor etc.

Hoje os holofotes se voltam para compliance, talvez em função do que o país vem passando nos últimos tempos. Só que há um problema: a maturação da disciplina ainda não foi suficiente para a formação de profissionais habilitados a ocuparem cadeiras relevantes. Como resultado, o volume na busca por pessoas nessa área chama a atenção. Hoje na EXEC, consultoria na qual sou sócio, temos 5 posições de compliance em andamento em níveis distintos. É um termômetro claro de mercado. O número vem subindo de maneira significativa. Foram 14 posições abertas nos últimos 5 anos (1 em 2015, 2 em 2016, 3 em 2017, 3 em 2018 e 5 em 2019) e a tendência é que esse número cresça ainda mais, junto com Controles Internos, ambas dividindo a segunda linha de defesa.

O perfil campeão (aqueles contratados ou melhores avaliados nos processos), na maioria dos casos, aponta uma pessoa com verdadeiro interesse na disciplina, bom nível de assertividade, facilidade para transitar em diferentes níveis hierárquicos, é comunicativo, sabe lidar com situações delicadas com razoável frieza e, naturalmente, tem domínio técnico do assunto. Além do inglês que invariavelmente é solicitado, porém com maior urgência em empresas com operações internacionais.

Olhando agora pelo lado das organizações, dentre os pilares que dão solidez ao programa de compliance (risk assessment, código de conduta, canais de denúncia etc), existe um que fica em evidência e eu julgo essencial para que o programa ganhe legitimidade: o exemplo da liderança ou, em inglês, tone at the top. Daí se estabelece uma relação de confiança e transparência junto aos stakeholders e isso é avaliado pelos candidatos sempre que se deparam com oportunidades na área. Do contrário, torna-se apenas uma área a mais na estrutura.

Se você é um profissional dessa área, esse é um bom momento para reforçar seu conteúdo, se atualizar, avaliar como se pratica compliance na sua empresa e, claro, vale ficar atento às oportunidades que surgem a cada momento. Faça a diferença!

por: Ricardo Welikson

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